TRY TO CAGE ME
TRY TO CAGE ME é a primeira música que a Chain Strikers lançou, mas ela começou muito antes da banda existir. Escrevi o riff principal aos quinze anos, ainda aprendendo guitarra, e o deixei engavetado por anos — eu nunca tinha uma banda pra tocá-lo. O que finalmente destravou foi perceber que eu não precisava de uma: saber que o Dave Grohl gravou o primeiro disco do Foo Fighters praticamente sozinho transformou a ideia em plano. Escrevi a música inteira sozinho.
Gravei onde escrevi — meu quarto — e foi a primeira coisa que produzi na vida. O setup era mínimo: uma Scarlett 2i2 (que uso até hoje) e uma Cort rosa estridente, a guitarra mais barata e mais amada que tenho. Sozinho no quarto, sem mapa nenhum, virou tentativa e erro e mais takes do que consegui contar. Um acidente acabou ficando: enquanto eu ajustava o timbre do solo do Pedro Ivo Rocco, um delay reverso vazando antes do solo virou uma espécie de risada demoníaca. Gostei o suficiente pra manter — um artefato que se insinua logo antes do solo, como algo se esticando pra te pegar. Pra te enjaular. Eu produzi; o Abel mixou.
A letra é feita pra ser lida de um jeito diferente por cada pessoa, então vou deixar a maior parte em aberto. O que eu digo é que ela veio de me dizerem, em mais de um lugar, o que eu tinha permissão de ser — e de eu decidir que não estava interessado. Em algum ponto da escrita isso virou algo maior que rebeldia: a recusa de continuar preso em carne e osso, a recusa de me ajoelhar pra qualquer coisa. A arte da Rina veio depois, construída em torno do mito de Prometeu, punido por entregar o fogo à humanidade. Escrevi primeiro em afinação padrão, depois baixei pra Drop D pra dar peso. Foi também a estreia ao vivo da banda no Duffy's Tavern — primeira formação, a primeira vez que cantei, e uma versão que mal lembrava esta.
I'll never get down on my knees. I've got no regrets.
LETRA
Composição Marcelo Barreto
Produção Marcelo Barreto
Mixagem e masterização Abel Delgado
Arte Rina
Lançamento 2025 · © Chain Strikers